Mecânicos de avião: SNA entrega carta a parlamentares durante Audiência Pública

por SINDICATO NACIONAL DOS AEROVIÁRIOS, 29/08/2016 às 19:22 em Artigos

Direção do SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários), em parceria com os demais Sindicatos filiados à FENTAC/CUT (Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil/Central Única dos Trabalhadores), participa de Audiência Pública na Câmara dos Deputados em Brasília (DF), no dia 23 de agosto, integrando a Comissão de Aviação de Transportes. O objetivo é pedir aos parlamentares que não permitam que as empresas aéreas retirem os mecânicos do atendimento de aeronaves. Com o intuito de reduzir custos, algumas companhias do setor da aviação civil tenta implementar essa prática irresponsável.

Um dia antes da Audiência Pública, a direção do SNA visitou o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, com o intuito de esclarecer a categoria sobre a gravidade do caso. Já durante a Plenária no Congresso, dirigentes sindicais entregaram aos parlamentares uma carta intitulada Mecânicos na pista, segurança de voo à vista: SNA na defesa dos passageiros e dos profissionais do setor comercial da aviação civil, que alerta sobre os riscos à segurança de voo que implicam a retirada desse profissional do atendimento das aeronaves. A direção do SNA, junto com a FENTAC/CUT, trabalha com afinco para evitar que isso aconteça.

Todas as autoridades presentes deram parecer contrário à retirada dos mecânicos. Com exceção, obviamente, do SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas), que não vê a necessidade desse profissional na manutenção das aeronaves. Representantes dos trabalhadores consideram o posicionamento dos parlamentares uma vitória e aguardam a próxima audiência, agendada para o início de setembro.

Confira, abaixo, a reprodução da carta entregue pela direção do SNA na Câmara dos Deputados e entenda a gravidade da situação. 

 

Mecânicos na pista, segurança de voo à vista

SNA na defesa dos passageiros e dos profissionais do setor comercial da aviação civil

Empresas aéreas tentam substituir o mecânico responsável pela manutenção de aeronaves por profissionais que não têm qualificação para exercer essa função. Antes de realizar a atividade, mecânicos precisam passar por uma série de cursos de especialização, o que os torna aptos a trabalhar no cargo. Por isso, a tentativa de retirada desse profissional do setor não prejudica apenas a categoria. Ela prejudica a segurança de voo e coloca em risco a vida de centenas de passageiros que utilizam o avião como meio de transporte, diariamente.

As empresas aéreas querem diminuir custos, mas de forma irresponsável. Seu intuito é colocar despachantes para exercerem uma função a qual não foram treinados, já que sua responsabilidade é cuidar da parte burocrática, como a documentação do voo. Esses profissionais, conhecidos como Orange Cap, Blue Cap ou DOT, são qualificados em inúmeras atividades, mas não possuem formação técnica para realizar a manutenção das aeronaves.

Os mecânicos precisam passar por dois anos de formação acadêmica, mais três anos de experiência prática, até finalizar o treinamento necessário para avaliar se o avião está em condições adequadas para realizar novo voo. São eles quem verificam se há algum tipo de obstrução nos sistemas de navegação da aeronave, se a calibragem dos pneus está correta, se a mangueira está corretamente conectada ao tanque de abastecimento para evitar uma explosão, entre tantas outras especificidades.

A justificativa para a retirada de um profissional altamente qualificado e de suma importância tem como único objetivo a diminuição de custos, já que os despachantes de voo possuem salário menor do que o dos mecânicos. Isso faz com que o adicional de 30% referente a periculosidade represente um valor bem mais baixo. A substituição resultaria em uma economia robusta para as empresas aéreas, mas o preço a ser pago pelos profissionais da aviação civil e pelo público usuário seria muito alto: precarização do trabalho, desvio de função e prejuízo na segurança de voo.

Apesar de a TAM negar que vai implementar essa prática, muitos mecânicos já foram demitidos. Além disso, a empresa admitiu em julho, durante reunião realizada com os diretores do SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários) Carlos Geison e Elias de Souza, que um estudo para avaliar a substituição desses profissionais foi iniciado há dois anos.

SNA promove ações

A possibilidade de retirada dos mecânicos da manutenção das aeronaves causa uma grande preocupação na direção do SNA, o que levou a entidade a adotar uma série de medidas para evitar que isso aconteça. Como esse Sindicato possui uma cadeira no Conselho Consultivo da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), o fato já foi relatado nos encontros bimestrais.

O caso também foi denunciado ao MPT (Ministério Público do Trabalho), em ofício encaminhado pela subsede do SNA em Brasília (DF), no dia 28 de junho. Em 7 de julho, José Ivânio Gonçalo da Silva, delegado do SNA em Aracaju (SE), deu uma entrevista à Rádio Jovem Pan, em que denunciou a possibilidade do desvio de função. Ele explicou que entre as inúmeras responsabilidades do técnico de manutenção constam o abastecimento e inspeção específica e segura da aeronave, que garantem que o avião esteja em condições seguras para seguir no próximo voo. Ivânio também informou que, apesar de estar ciente do caso, a ANAC ainda não tomou nenhuma providência.

Diante da gravidade dos fatos apresentados neste documento, o SNA vem à audiência pública pedir aos parlamentares presentes que não permitam a precarização do trabalho no setor comercial da aviação civil, nem coloquem em risco a vida das milhares de pessoas que frequentam os aeroportos brasileiros todos os anos. Parlamentares esses, que também utilizam o avião como meio de transporte.

 

Texto: Cláudia Fonseca | Agência Amora

Fotos: Direção do SNA

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