Abertura dos Jogos Olímpicos: SNA realiza ato no Aeroporto Internacional Tom Jobim

por SINDICATO NACIONAL DOS AEROVIÁRIOS, 04/08/2016 às 12:30 em Artigos

Diretores de todos os estados do SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários) realizaram no dia 5 de agosto um grande ato no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro (RJ). O objetivo é aproveitar a data de abertura dos Jogos Olímpicos para chamar a atenção dos passageiros para dois pontos: a situação de risco da aviação civil e a política nacional.

Em relação ao setor aéreo, dirigentes sindicais alertam sobre políticas adotadas pelas empresas e administradoras de aeroportos que podem colocar em risco a segurança de voo. Entre elas, a falta de agentes no atendimento do Raio-X, que resulta em filas gigantescas, e a retirada do atendimento de mecânicos nas aeronaves. O excesso de jornada de trabalho, para quantidade insuficiente de profissionais contratados, também é um ponto grave.

Quanto a política nacional, a direção do SNA alerta sobre o golpe de Estado que resultou na saída da presidente Dilma Rousseff (PT) de seu cargo, atualmente ocupado pelo interino Michel Temer (PMDB). A atual política do governo aponta para a retirada de direitos trabalhistas, o que vem causando grande preocupação nos Sindicatos em geral.

O ato, que conta com o apoio da CUT (Central Única dos Trabalhadores), CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) e FENTAC (Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil), apresenta placas, painéis e panfletos com mensagens em português e inglês, para que estrangeiros também tenham conhecimento da situação tanto do setor aéreo como da política nacional brasileira.

Clique aqui e confira o álbum I e o álbum II de imagens do ato, com fotos em alta resolução

Clique aqui, no Vídeo 1 e Vídeo 2, no link do Canal SNA, e confira os vídeos da manifestação

 

Veja carta distribuída aos passageiros, nas versões português/inglês:

Jogos Olímpicos: investimento para quem?

Centenas abandonados em leitos de hospital. Nossa saúde pública é precária e está longe de atender a demanda da população. Professores de escolas públicas ganham miséria. O pouco investimento em educação coloca em pauta a possibilidade do fechamento das universidades públicas. Com a média salarial do brasileiro, pagar ensino particular é uma realidade muito distante da maioria. Transporte público apenas funciona nos bairros de classe média/alta. No subúrbio, nas periferias, a realidade de locomoção é muito diferente. Da segurança pública, nem se fala.

Os Jogos Olímpicos são uma tentativa de mascarar o verdadeiro Rio de Janeiro, aquele que ninguém quer ver. O Rio em que o cidadão sofre diariamente para voltar do trabalho para casa, em função da superlotação do transporte; o Rio em que não há vagas nos hospitais públicos; o Rio que não oferece educação de qualidade para crianças e jovens; o Rio cercado de violência em função da falta de emprego de políticas públicas e sociais.

Não bastasse isso, sofremos um duro golpe de Estado, em que a presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff, foi retirada do seu cargo sob o argumento de crime de responsabilidade. Crime esse que, comprovadamente, não existiu. Áudios de ligações telefônicas vazados pela impressa confirmam que a oposição fez grave manobra política com o objetivo de ocupar o poder. A mesma oposição acusada de uma série de crimes que envolvem corrupção. 

A política do governo golpista mostrou rapidamente a que veio: destituição de mulheres e negros de cargos parlamentares, que voltam a ser ocupados única e exclusivamente por uma elite branca, formada por homens; diminuição das pastas relacionadas às políticas públicas e sociais; implementação de projetos que implicam em retiradas de direitos trabalhistas, como os que envolvem a terceirização, 100% de abertura do setor aéreo para o capital estrangeiro, aumento de tempo de trabalho para entrada da aposentadoria, flexibilização do conceito do trabalho escravo, entre uma série de propostas que apenas prejudicam a camada mais carente da população. 

Que os Jogos Olímpicos sediados no Rio de Janeiro sirvam para mostrar ao mundo a realidade enfrentada diariamente por milhares de brasileiros e brasileiras, que não bastassem as dificuldades diárias já enfrentadas, veem um risco iminente de perdas trabalhistas com a ascensão de um governo golpista ao poder. A realidade da maior parte da população é muito diferente da vivida por uma ínfima parcela da elite brasileira, representada pela maioria no Congresso que votou pela saída da presidente eleita. A realidade do Rio de Janeiro é muito diferente da vivida nos pontos turísticos da cidade. 

No último mês, o governador Francisco Dornelles decretou estado de calamidade pública, com o objetivo de desviar a verba de recursos básicos como saúde e educação para finalizar as obras necessárias para a realização das Olimpíadas. Dizem que sediar os jogos será um grande investimento. A pergunta que fica: investimento para quem?

 

Olympic Games: investment for whom?

Hundreds abandoned on hospital waiting lines. Our public health system is precarious and it is far away to succeed in fulfill population demands. Teachers from the public education system are paid starvation wages. Low investment in the public education system possibly opens the agenda of closing public universities. Brazilians average salary, paying for a private education is very distant from major population. Public transportation only works in medium and high class neighborhood. In suburbs, the reality about public transportation is very different, public security as well.

The Olympic Games are an attempt to mask the true Rio de Janeiro, one that nobody wants to see. The Rio in which a citizen suffers daily to return home from work, depending on the overcrowded transport; The Rio in which there is no vacancies in public hospitals; The Rio that does not offer quality education for children and young people; The Rio surrounded by violence in light of the lack of employment of public social policies .

Not enough, we suffered a Coup D’état, in which the president democratically elected, Dilma Rousseff, was removed from his position under the argument of responsibility crime. A crime that it did not exist. Leaked audios confirm that the opposition has made serious political maneuver with the goal to reach power. The same opposition accused of a series of crimes involving corruption.

The coup government’s policy showed their claw quickly: dismissal of women and black people of parliamentarians positions, who return to be occupied solely by a white elite, made up of men; a decrease of folders related to public social policies; implementation of projects that involve withdrawal of labor rights, such as those involving outsourcing, 100% of opening of the aviation industry for foreign capital, increased working time for retirement entry, creating a flexible concept of  the slave labor law, among a number of proposals that only affect the most needy population.

The Olympic Games based in Rio de Janeiro will serve to show the world the reality faced daily by thousands of Brazilians, who were not enough the daily difficulties already faced, they see an imminent risk of labor losses with the ascension of a government coup to power. The reality of most of the population is very different from the experienced by a tiny portion of the Brazilian elite, represented by the majority in Congress that voted for the ex-president-elect. The reality of Rio de Janeiro is very different from the lived in the touristics places of the city.

In the last month, the Governor Francisco Dornelles has declared state of emergency, with aim of diverting sum of basic resources such as public health and education to complete the necessary works for the Olympics. They say that hosting the games will be a great investment. The question is: investment for whom?

 

Texto: Cláudia Fonseca | Ag. Amora

Fotos: Cynthia Tomari | Ag. Amora 

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